quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Sou eu ou será que o mundo está assim mesmo??

Olá, pessoal!!!

Sei que faz tempo que não coloco nada por aqui, mas muita coisa andou acontecendo comigo e eu acho que esse blog vai virar mais um lugar de desabafos da triste verdade ácida... é... depressivo pra caraleo!

Já aviso: antes das feministas de plantão começarem a tacar calcinha em cima, leiam e tirem suas próprias conclusões!

Não é fácil ser mulher... não é fácil ser mulher e professora... alias! Não é fácil ser mulher, professora e morar no Brasil! (não desmerecendo nossa pátria, mas acho que a situação não seria diferente em qualquer lugar! Dou graças à Deus por não ter nascido em nenhum país árabe, pq do jeito que eu sou, já teria morrido de apedrejamento numa hora dessas!).
Desses 5 anos que leciono - e sei que não são muitos - vi muita coisa! E quando eu digo muita coisa É MUITA COISA! Mas nenhuma delas se compara a desvantagem de ser mulher... sou uma pessoa que, como tantas, resolveu encarar esse mundo como muitos fazem... a diferença está no caminho que eu escolhi. Já começa pelo fato de ser professora - codinome PROFISSÃO INGRATA - que, com muito custo e esforço, não desisti e lutei para me formar e lecionar. Lembro de muitos falarem para que eu não seguisse em frente, até eu mesmo estava desanimada pelas condições de trabalho - alias, não mudaram muito - que enfrentaria nessa penosa jornada. Mas fui além, aos trancos e barrancos, consegui! E, o que eu sempre pensei quando criança, realmente se tornou verdade...

Passei por várias escolas, muitas boas e outras ruins, mas o que mais me impressionava em todas elas eram a falta de peroba que tinha algumas pessoas que trabalhavam lá... Sim, meu amigos, sai de uma delas por tentar lutar por direitos dignos de trabalho, onde o próprio coordenador desprezava publicamente qualquer funcionáriA, e, quando fui confrontá-lo, eu era (nas palavras dele e aos berros) "uma professora que deveria baixar a cabeça e seguir ordens sem tentar reclamar de nada, Parecia uma crianças de cinco anos fazendo isso, e o que faz pensar que eu tinha direitos? Afinal, ele era o coordenador e eu um professorinha que não tem direito algum!"- depois de um tempo, ele foi mandado embora por outras razões.

Sempre esteve em minha cabeça "ai se eu fosse um homem!". Não desmereço ninguém, mas seu eu fosse, acho que levaria mais credito em qualquer coisa que eu fizesse! Nunca me assustei com nada, mas sempre soube que um policial que chega até vc depois de um assalto e fala "bom, ainda bem que não aconteceu nada por aqui! Que bom! Vou curtir meu feriado agora, tchau!" seria diferente se eu fosse um homem e pudesse dar um bom e digno soco na cara desse abençoado enquanto ele sorria para mim como se o mundo fosse O País das Maravilhas!

Acho que por uma vez na vida, não queria ter que me sentir envergonhada em me arrumar; queria parecer mais feminina e passar o mesmo respeito que passo quando sou o mais masculina possível! Mas todas vezes que eu sou mais feminina, sou a retardada da moça que não sabe dirigir, então pra que o policial vai sair do bar e apaziguar uma briga entre dois motoristas que não  querem admitir a culpa de um pequeno contratempo no transito? Sou a destruidora de lares na visão deturpada e infantil de uma outra mulher que vê como competidora na caça de um macho (sendo que nem eu sabia que estava caçando um macho e quanto mais competindo na modalidade). Sou a general que manda uma criança fazer a lição de casa, mas, coitada da criança, né? Ela tem que ter o tempo integral para o descanso! 

Feministas de plantão! Não jogais vossas calcinhas em sinal de protesto ainda! Existem sim as mulheres que botam respeito, mas o quanto elas tiveram que ouvir e abrir mão para que chegassem ao sucesso... já parou para pensar nisso? (e não, Dilma não entra nessa lista pelo simples fato de ter aceitado um cargo onde não sabe absolutamente nada do que faz) Eu já. Acho que foi esse pensamento que ainda me impediu de jogar tudo para o alto e mudar meu nome para Antonio (e me arrepender amargamente depois).

Isso me fez compreender muito mais minha mãe e irmãs: como minha mãe sempre procurou estabilidade em casamentos fajutos, mesmo sabendo que essa não era a resposta; como minha irmã mais velha aprendeu a nunca confiar em ninguém para cuidar dela, mas sempre ajudou quem quer que precisasse; minha irmã do meio colocou em seu coração que não poderia confiar em ninguém, mas sempre acreditou que um dia teria seu príncipe encantado...acho que me fez compreender meu pai quando ele era duro comigo! Ele sabia que a vida não seria fácil! E não pq eu, em algum momento. pararia de lutar, mas ele sabia que eu ia enfrentar a dureza de ser rejeitada por ser mulher... ele tentou me mostrar a nunca olhar para baixa quando a vida mandava fazer isso... muitas coisas ficam claras agora...

Mas querem saber? Acho que não gostaria de ser um homem também! Seria o homem mais feminino da face da Terra! Isso me traria problemas! Teria que engolir muito mais sapo e mostras que homens não choram! Quem tem problemas emocionais são bichinhas! Não posso ser um bichinha! E quem disse que eu teria problemas financeiros?? Homens NUNCA tem isso! Homens tem dinheiro para sair com os amigos e pagar um jantar com a mulher mais gostosa para levar ela para cama e contar pontos depois! Imagina, quase trinta anos e ainda não saiu da casa dos pais?? É muito incompetente mesmo! Gay? Era só o que faltava mesmo! Ainda tá comendo geral? Não? Casou? Vix, vai sofrer na vida! É corno? Que burro! Ainda ta comendo geral depois de casado? Ai eu vi vantagem!... Não. Não gostaria de ser homem, apesar das vantagens do mesmo. Ainda quero ser a pobre professorinha que tenta mudar um ser humano de cada vez e aprender jiu-jitsu!

Acho que eu deveria mudar o nome deste post para "como ACHAMOS que o mundo mudou, e não é assim".

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