quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O falso moralismo brasileiro

Olá minha gente! Tudo bem com vcs? faz um longo tempo que eu não posto nada aqui, mas simplesmente hj aconteceu algo que me deixou indignada e queria compartilhar com vcs.

Bom, pra começar, tenho que falar sobre a minha vida e onde esse episodio se encaixa; sou formada em Letras. Para falar a verdade, nunca quis exercer a função, mas acho que vcs entendem o pq: salário baixo, o não reconhecimento profissional, jornadas imensas de trabalho, sem vida social e a vilã de todas histórias! 

Pois bem, imaginem eu, formada pela Uniban (valeu Geizy Arruda!), com pouca experiencia na área (me formei em 2010, mas de lá até aqui foram somente 2 anos de experiencia), tentando pagar com muito sacrifício as contas e os certificados de língua inglesa (o preço de cada prova pra tirar um certificado varia de R$ 200,00 a R$ 10.000,00) pq simplesmente não fiz nenhum curso na língua e resolvi aprender tudo sozinha (e não é fácil!), um intercambio para Grécia (e não foi um experiência muito boa) como eu me saio perante um ser que fez uma das dita cujas faculdades (USP, UNICAMP, FAAP, PUC...) (isso quando não é bolsista), intercâmbios e mais intercâmbios de 10 anos cada, mas não tem experiência alguma no ramo? A desvantagem vai direto na faculdade e nem vou comentar o resto pq é deprimente!

Professor se ferra desde a época que ele se forma ou até antes: não consegue estágio em uma escola  X pq a faculdade não é bem vista pelos pais dos alunos; quando consegue, muitas vezes não é remunerado; temos que lidar com todo os tipos de obstáculos e muitas vezes, nossa pouca ou muita experiencia falha quando mais precisamos. Ah, e quando nos formamos!!! É um caos!! Se tiver sorte de ficar na escola que está estagiando é uma benção! Do contrário, fazer a longa lista de entrevistas ou as intermináveis provas para as escolas publicas! Ótimas para o currículo... Péssima remuneração!

Vou ficar falando só do dinheiro que não se ganha? Podia, mas ainda tem o pior de todos: o aluno. 

Sim, meus caros! Todos nós fomos alunos, mas nós esquecemos disso!! Esquecemos o quão é difícil lidar com uma pessoa cabeça dura e que quer ter razão onde não se tem. E nós, reles professores, esquecemos que a cada geração, isso tende a piorar!

Entramos na era do pior falso moralismo que já vi e enfrentei: a geração mimimi. Quem?! Sim! A geração mimimi! Ela em toda a sua glória e esplendor horripilante!! Tão horripilante que fica difícil encontrar de onde se originou tal coisa.
Explico o que é isso: hj temos tantas leis de proteção que fica difícil saber o que pode ou não fazer. Antigamente, o professor era a autoridade total em sala de aula, tanto era que passava muito longe de ser autoridade e se tornava tirano! Graças a Deus, mudamos isso; o professor é sim uma autoridade em sala de aula a ser respeitada, sempre respeitando seus alunos em tudo que possível. 

Acho que o problema maior é que as pessoas esqueceram o que essa palavra "respeito" quer dizer: ter apreço e consideração por algo ou alguém em suas diferenças. Mas nem tudo é tolerável! Não tenho respeito pela pessoa que matou outra pq esta não quis lhe dar o dinheiro que conquistou com muito sacrifício. Não tenho respeito pela pessoa que não tenta o suficiente na vida e quer resolver seus problemas de forma mais fácil. Não vou ter respeito nenhum pela pessoa que acha que o merece pq tem persuasões para tal. E é aí que entra a geração mimimi.

O alunos não são mais alunos, mas sim clientes: devemos "respeito" pq tem persuasão para tal. Ai de nós, pobres professores, que tentarmos consertar isso! Somos os vilões da história pq exigimos respeito em sala, exigimos que façam a lição de casa e prestem atenção no conteúdo. Exigimos que participem da aula e pensem além da caixinha! Somos horrendos! Somos horríveis! Não temos o direito de exigir tal coisa, pq é um absurdo! 

Sim, foi exatamente o que me aconteceu hj e muitas vezes: sou o monstro que exige uma melhor educação de seus alunos! Sou o ser horrível que tira seus iPhones para que prestem atenção no conteúdo, caso contrário, serei o horrendo ser que dá zero em suas provas e lições. Quais as armas que tenho para lutar? Nenhuma! Tenho meu poder de persuasão com palavras que muitas vezes não são entendidas, tenho meus livros e meu pensamento que levam conhecimento e muitas vezes não são ouvidos! Tenho a mim mesma e a minha fé em qualquer ser onipresente e onisciente que me dê forças para aguentar mais um dia de lamurias e sofrimentos incabíveis!

O pior de tudo são seus progenitores! Eles dão razão e voz à geração mimimi!! Pessoas que sofreram em sua adolescência e não procuraram ajuda! Pessoas que não tem tempo para seus filhos e compensam com coisas fúteis! Pessoas que não dão espaço para o crescimentos profissional, familiar e emocional de seus filhos! Sabemos que aos olhos de seus pais, nós, filhos, seremos sempre crianças, mas elas crescem! Crescem e precisam "crescer"! 

O Brasil fica indignado com a morte de Eduardo Campos, mas não com a taxa de analfabetismo de seus cidadãos; clamamos e vibramos com a "Copa das Copas", mas não clamamos por uma melhoria em nossas escolas; agora o governo vem com essa história de tirar todas as matérias essências (deixando somente português e matemática) até o ensino médio e reformular mais uma vez a língua portuguesa? Por que? Para quem? Por mim? Para melhorar o meu dia? Facilitar a vida de quem não quer estudar?

Enquanto isso, a geração mimimi vai crescendo, tomando proporções nunca vistas antes, sempre reclamando do que não tem necessidade e deixando que outros resolvam suas patéticas vidas. E eu me pergunto, quando isso vai mudar?

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